quarta-feira, novembro 24, 2010

Rui Moreira de Carvalho lança «Compreender + África»

“Manual de muitas teorias económicas” escrito por um “homem de afectos”. Foi, assim, que Luís Palha, membro do Conselho de Administração da Jerónimo Martins, e Fernando Faria de Oliveira, Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, caracterizaram a obra e o autor. Rui Moreira de Carvalho lança assim uma segunda versão aumentada e melhorada do seu livro “Compreender África”, editado em 2004. Uma actualização grandiosa e inédita que nos remete para o estado da arte do que poderia chamar-se “Economia do Desenvolvimento Africano” e que coloca em equação a actuação de todos os intervenientes naquele continente. “Como agir em África?” Eis a questão-chave à qual o autor tenta responder, pondo-nos em contacto com o nosso EU interior e dando-nos pistas para um maior e melhor envolvimento e/ou associativismo às causas e problemas do desenvolvimento africano.

Será o continente, caracterizado por investimentos relâmpago cujo resultado nem sempre é o desejável… um grande recreio onde todos podem brincar ao “toca e foge”? questionou Luís Palha. A incompreensão, face à actuação de alguns actores económicos, é também uma preocupação do autor, Rui Moreira de Carvalho, que acalenta um sentimento “sempre positivo” face ao futuro. Para Fernando Faria de Oliveira, “o desenvolvimento económico e social é uma tarefa de gerações. A criação de riqueza é a única forma de combater a pobreza. A África tem um enorme potencial natural de crescimento. Contudo, há um gap de modernidade a recuperar, visando acrescentar valor aos recursos existentes”, alerta. Traduz-se em níveis de produtividade baixíssimos, ruptura do sistema empresarial, falta de recursos materiais e financeiros, aparelhos de Estado financeira e institucionalmente débeis, actividade económica praticamente paralisada (exceptuando-se a economia informal que, todavia, mantém níveis de desempenho de subsistência). Esta é a realidade que marca o dia-a-dia das populações africanas, cada vez mais dependentes do apoio externo.

“Sabe-se que diferentes abordagens sobre a iniciativa empresarial, o factor trabalho, a organização, o papel das instituições - designadamente financeiras -, o sistema de protecção social, os níveis educacionais, etc., condicionam o desenvolvimento económico”, acrescenta Faria de Oliveira, para quem a criação de novos mecanismos competitivos parece ser a solução: “Os povos dos países do Extremo Oriente são muito mais disciplinados e trabalhadores, e têm níveis de escolaridade e educação sensivelmente superiores. Uma estratégia global lógica para acelerar o desenvolvimento passa por procurar ajudas, apoios, alianças e reduzir, assim, o tempo necessário para as mudanças, encurtando os prazos de aproximação a maiores níveis de desenvolvimento”, esclarece convicto.

Um grande número de países africanos necessita ainda de significativa ajuda internacional por parte dos países desenvolvidos e das instituições internacionais de apoio ao Desenvolvimento. Os seus recursos são, em muitas circunstâncias, escassos e, sem eles, como proceder a reestruturações? “A cooperação governamental institucional é de extrema importância. A redução da pobreza, a construção da capacidade institucional, a reabilitação de infra-estruturas, dos cuidados de saúde primários, a educação e a formação profissional, e muitas outras necessidades, clamam por solidariedade reforçada e por pragmatismo. As alianças são, pois, cruciais. A criação de riqueza é uma tarefa essencial e o papel dos empresários/dos investidores é insubstituível. Para atraí-los, é necessário, primeiro, que os governos locais criem condições para isso e, segundo, é fundamental que os investidores compreendam África e, consequentemente, criem condições para atingir o êxito”, afirma o ex-ministro social-democrata dos governos de Aníbal Cavaco Silva.

A experiência de Rui Moreira de Carvalho em África, sobretudo em Moçambique, permitiu-lhe identificar os principais bloqueios actuais para o desenvolvimento da economia visando ajudar os empresários a conhecer melhor África, em geral, incentivando-os a investir no continente negro. Uma iniciativa que pretende ser um “contributo para conhecer e apreender algo sobre África através da dimensão económica”. Uma leitura atenta da Introdução é fundamental para compreender o âmbito dos assuntos objecto da atenção do autor, os seus objectivos e a estrutura do livro: “É nosso propósito definir enquadramentos descrevendo o melhor possível as correntes que motivaram os avanços e os retrocessos da modernização e consequentemente da economia. Proporcionar uma focalização do processo histórico para a determinação das causalidades. Sustentamos que a África Subsariana não descamba necessariamente na desgraça. Na realidade, sob as ondas dos acontecimentos aparentemente insensatos que induziram a uma terrível trajectória socioeconómica, encontram-se causas que se repercutem por todos, com responsabilidade a nível mundial”, conclui o autor.

Em suma, a obra “Compreender + África” analisa os vários vectores a reter pelos gestores aquando dos processos de internacionalização. Um livro que alia “cultura, experiência e cultura local”, estruturado em dez capítulos - dois dos quais totalmente novos - e cujo lançamento teve lugar ontem, na Bertrand do Picoas Plaza, com a presença de personalidades de diversas inserções sociais: de políticos a gestores, de economistas a professores universitários, de estudantes e cientistas sociais, de intelectuais a cidadãos comuns.

Os comentários sobre: 1. A recente crise internacional e seus efeitos, 2. O condicionalismo sociocultural em África, 3. Em que consiste a competitividade de um país e como aumentá-la, 4. A evolução dos fluxos económicos, 5. A racionalidade da economia rural e suas implicações, 6. Responsabilidade Social, 7. Internacionalização dos centros de poder numa perspectiva de médio/longo prazo e 8. A importância da cooperação tecnológica internacional, estruturam esta obra de referência e de leitura obrigatória no Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social.


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segunda-feira, novembro 22, 2010

Overseas Perspectives - Argentina 2010

Chrystal Ostermann e Jorarsaa