segunda-feira, junho 07, 2010

Novo livro de Inocência Mata apresentado na FLUL

“Polifonias Insulares – Cultura e Literatura de São Tomé e Príncipe”, mais uma obra de Inocência Mata, apresentada hoje pela Prof.ª Doutora Isabel Castro Henriques na biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), pelas 18 horas, com o apoio da RDP-África, e na presença de inúmeras celebridades da sociedade santomense.
“Importância da natureza interrogativa e crítica e das trajectórias multidisciplinares para o conhecimento das sociedades”, eis os pontos de partida comuns destas amigas, ambas professoras da FLUL. Isabel Castro Henriques, Prof.ª de História na área de Estudos Africanos, começou por citar Edgar Morin “É o erro que permite avançar no que diz respeito ao conhecimento em geral” e por falar do significado da palavra «polifonia»: “combinação/articulação/fusão de uma pluralidade de sons e vozes para criar um TODO harmonioso, coerente e novo. Eis o objectivo da obra que, através da produção literária, procura dar conta deste TODO que é STP”, conclui.Um livro que reúne cerca de 15 ensaios, “revisitados frequentemente pela autora”, que lhes conferiu um “novo músculo” visando integrá-los nesta obra que dá continuidade à anterior “Diálogo com as Ilhas” (1998) e que nos fala do carácter interventivo da literatura de STP. “O objectivo da autora é mostrar a natureza criadora das literaturas santomenses, ou seja, a forma como a literatura santomense dá conta de uma identidade que se vai fazendo e refazendo diariamente.” Como se processa esse mecanismo criador? A resposta foi peremptória: “Os Homens e as realidades que fabricam a Cultura de uma sociedade são, eles próprios, agentes de uma produção literária. Não é possível compreender as formas culturais e as identidades (mutáveis) sem compreender os processos históricos pelos quais os Homens passam”, acrescenta a docente. Inocência Mata parte das línguas e das literaturas de STP para abordar inúmeras temáticas, de que são exemplo: O problema da Língua «versus» Identidade Nacional, a cultura são-tomense na rota da convergência atlântica, o pousio literário (finais do séc. XVI), a descolonização da palavra na cultura são-tomense, lugares são-tomenses de Exílios, Passagens e Conexões.
Numa apresentação digna de registo, Isabel Castro Henriques fez o inventário das problemáticas: I. A Natureza MÃE (árvores, floresta, plantas, clima, território, águas, fauna) “que perde o seu carácter natural para adquirir um carácter social. Todos desempenham, funções simbólicas de ajuda ou desajuda em relação aos Homens, são agentes socializados que permitem compreender a sociedade são-tomense.” II. O Poder do Simbólico (feitiçaria segundo os europeus) “elementos vegetais e animais que são sacralizados para desempenharem a sua função de intervenção na sociedade, exemplos de crenças: ossobó, ave que anuncia a chuva; Quem come Safu (fruto escasso) volta a S. Tomé.” III. A densidade das Formas Sociais “criação de múltiplas gentes, projectos e variadas vozes que reflecte a ligação dos actores sociais à sua matriz, exemplos: sistemas de parentesco e de organização familiar (histórias de família e memórias de infância) e sistemas produtivos que assentam na terra [culturas da violência, do sofrimento, questões do comércio: plantação de açúcar (séc. XVI) e de Cacau (séc. XX)].” A doutorada referiu ainda a importância das roças em termos de simbolismos: violência, exploração, dominação, resistência, luta, heróis, opressores, etc. IV. Sistemas Políticos (colonização e colonialismo, formas de autonomia, independência e pós-independência). Em suma, todos estes elementos contribuíram e contribuem para a construção da cultura são-tomense, com uma identidade em movimento e, hoje, “perfeitamente definida e que deve à história e às múltiplas formas que o Homem foi capaz de construir a sua própria concretização: um NOVO que surgiu do trabalho dos são-tomenses e que alimenta a sua literatura.” Dada a palavra à autora, foi explicado o significado da capa: fotografia da própria com uma árvore completamente tomada por parasitas. “quando a vi, perguntei-me: porque é que não morre?” Numa perspectiva crítica e multidisciplinar, esta professora de literatura africana dá a conhecer “os contornos e enquadramento das obras de autores como Manuela Margarido, Aíto Bonfim, Conceição Lima e Sacramento Neto e outros que, não sendo são-tomenses, escolheram as ilhas como seu lugar de gestação literária mantendo, assim, um diálogo com a cultura e a sociedade são-tomenses: Otilina Silva, Pedro Rosa Mendes, Paulo Ramalho”, pode ler-se na contracapa. Deu o exemplo de Aíto Bonfim e de Lenin Oil cujos romances nos falam de um preso que acha que pode enlouquecer se não recorrer às memórias da sua infância e do novo ciclo de produção: petróleo, respectivamente. Uma obra cativante que nos remete para o carácter singular, rico e extremamente diverso da cultura são-tomense.

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sexta-feira, junho 04, 2010

IV Congresso Internacional da África Lusófona 12-14 Maio 2010


INTEGRAÇÃO GLOBAL, DESENVOLVIMENTO LOCAL: UMA RESPOSTA SUSTENTADA
Rádios Comunitárias: Em prol da Comunicação para o Desenvolvimento

ABSTRACT
Instrumentos puros de “empowerment”, as Rádios Comunitárias dos PALOP são hoje reconhecidas pelas instituições internacionais de auxílio de emergência e de auxílio ao desenvolvimento como meios de comunicação privilegiados, em resultado não apenas da sua proximidade das audiências como também pela influência exercida a nível local pelos seus radialistas, cuja função varia desde a extensão do sistema educativo à difusão das campanhas de saúde pública, da aprendizagem contínua técnica ou social à própria coesão étnico-social, ao desenvolvimento da participação democrática e ao reforço da cidadania. Espaços de debate e confrontação de ideias, as “rádios do povo” dão voz aos sem voz e constituem uma resposta eficaz aos constrangimentos da Globalização. O mundo moderno exige estratégias de desenvolvimento sustentável inovadoras e este jornalismo participativo marca o nascimento de uma nova forma de comunicar, onde cada pessoa assume o papel de cidadão-repórter, privilegiando o serviço público em detrimento de quaisquer interesses político-ideológicos.

Palavras-Chave: Globalização, PALOP’s, Rádios Comunitárias, Desenvolvimento Sustentável, Boa-Governação, Democracia Participativa, Cidadania.