sexta-feira, novembro 10, 2006

Mário Soares e Federico Mayor Zaragoza, co-autores desassossegados

“Não é o dinheiro que comanda o mundo. São as ideias, as causas, a ética.”

Conhecem-se há mais de 20 anos, partilham da mesma visão do mundo, conversaram durante meses a fio em Madrid e Lisboa, estreitaram relações e o bom entendimento resultou na publicação do livro “Um Diálogo Ibérico no Contexto Europeu e Mundial”. Dois interlocutores de peso, cujo diagnóstico crítico nos permite antever o futuro da Europa e do Mundo I Patrícia Paula I

A apresentação do «Diálogo Ibérico» teve lugar a 30 de Outubro, às 18h30, no Edifício do Círculo de Leitores, em Lisboa, e coube a Joana Amaral Dias, porta-voz da juventude da candidatura presidencial de Mário Soares, e a Freitas do Amaral, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, alertar os presentes para os principais fundamentos da obra. De entre a multidão, destacava-se uma primeira fila de luxo, com os ministros António Costa e Nuno Severiano Teixeira e o escritor José Saramago.
A obra assume-se como um diagnóstico crítico perante a Nova Ordem Mundial, no qual os autores apontam e trilham novos caminhos sobre os mais variados assuntos. “É evidente que estamos perante duas personalidades sobejamente conhecidas que, apesar da evidente diferença de vivências e formações, não estão acantonadas num baú nostálgico mas trazem antes a sua experiência como uma espécie de manancial para o futuro”, sublinhou Amaral Dias. Uma apreciação partilhada por Freitas do Amaral que afirma tratar-se de um livro de alta qualidade que peca por defeito ou por excesso de humildade propondo, inclusive, mudanças: “É muito mais do que um diálogo ibérico no contexto europeu e mundial. Talvez devêssemos mesmo inverter o título: é um diálogo sobre a Europa e sobre o mundo feito por duas pessoas que vivem num contexto ibérico. É uma autêntica volta ao mundo em mais de 80 páginas mas em menos de 80 dias.”
Folheadas apenas algumas páginas, não restam dúvidas que Mário Soares e Federico Mayor são dois actores políticos desassossegados, às vezes até desencantados com o mundo de hoje, mas que nem por isso abdicam de uma postura activa, alertando para a urgência da «cidadania global».

Críticas «versus» Elogios
Quanto às críticas, as opiniões divergem: para Joana Amaral Dias faltou abordar «o novo papel das mulheres no mundo actual»: “ainda procurei nas novas potências emergentes mas não encontrei. Só constava a China, a Índia e pouco mais. Imagino que ao convidar-me, Mário Soares tenha de alguma forma colmatado parcialmente esta lacuna”, disse com humor. Mostrou-se igualmente contra as posições relativas à Constituição Europeia, à colonização da esquerda pelo neoliberalismo e à ideia de Zapatero e Sócrates como «gémeos separados à nascença». “Apesar de ser portuguesa, identifico-me muito mais com Zapatero. Deixarei o elogio Socrático ao Prof. Freitas do Amaral que, com certeza, o fará muito melhor do que eu”, concluiu aplaudida.
Já o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, lamentou não existir um capítulo sobre as deficiências persistentes em matéria de solidariedade e justiça social em cada um dos dois países ibéricos, que não se tenha aprofundado a análise do modelo nórdico “que me parece ser o que, apesar das imperfeições, mais se tem aproximado na prática dos ideais por vós proclamados” e que não se tenha dado mais atenção à Rússia “potência emergente que, para o bem ou para o mal, vai condicionar fortemente a evolução dos acontecimentos nas próximas décadas na Europa, no Médio Oriente e no Continente Asiático, ou seja, em praticamente todo o mundo.” Por fim, lamentou-se pelo facto de os autores não terem investido mais na absoluta necessidade de introduzir, com a máxima urgência, no ensino básico e secundário, uma ou mais disciplinas de «educação cívica» ou de «educação para a democracia/cidadania».
Gelo quebrado, ouviram-se as qualidades da obra. “Conversa despretensiosa, arejada, arredada de nacionalismos mofos, sem moderadores ou intermediários, que não se deixa prender a uma visão demasiado politizada do mundo. Há um certo espírito de denúncia. Não é uma denúncia estéril ou de ressabiamento. Mas sim, uma denúncia de quem tem a coragem e o sentido de oportunidade para chamar à pedra o que é necessário, sem ter medo das consequências. Fiquei com a ideia que estes dois autores são capazes de um novo internacionalismo”, ressalva Joana Amaral Dias.


Mais-Valias…
Profundo e revelador de conhecimentos e competências qualificadas, este «Diálogo Ibérico» esgota a problemática das grandes questões actuais, remete para duas ou três dezenas de livros de autores consagrados (Karl Popper, Jacques Delors, Daniela Mitterand, etc.) e compreende citações exaustivas das grandes declarações ou resoluções internacionais aprovadas na última década e que, infelizmente, são ignoradas pelos media e demasiadas vezes pelas universidades.
“O livro passa pela afirmação de valores-chave: a Europa como farol de paz, civilização, democracia e justiça social; as Nações Unidas como motor de arranque para um modelo desejável de governação mundial; a Aliança de civilizações em geral e particularmente entre o Ocidente Europeu e o mundo islâmico; os Objectivos do Milénio, aprovados pela ONU em 2000, e reafirmados por quase todos os chefes de Estado e de Governo do mundo em 2005”, sintetizou Freitas do Amaral.

Síntese Partilhada pelos co-autores
A tese principal do livro pode ser resumida em três pontos: o mundo actual está cada vez mais perigoso e continua profundamente injusto, cheio de desigualdades, pobreza, doenças, miséria, subnutrição; a única entidade que pode enquadrar e orientar a mudança radical desta situação é a ONU, desde que devidamente reformada; quem deve tomar a iniciativa das reformas necessárias e das intervenções indispensáveis à paz, ao desenvolvimento e à justiça social no mundo é a União Europeia, se e quando possível por iniciativa e propostas conjuntas dos dois maiores países Ibéricos. “Mas há uma diferença subtil: Federico Maior mostra-se mais optimista acerca da viabilidade da aplicação prática destas grandes orientações, sobretudo por via do poder da opinião pública mundial, hoje reforçado pelas Novas Tecnologias. Mário Soares mostra-se um pouco mais pessimista, pelo menos a curto prazo, embora sem nunca duvidar da força dos ideais”, explicou o apresentador.
Aliança e Diálogo entre civilizações, designadamente entre os países europeus e os países árabes; Sim à paz, Não à Guerra; carácter ilegal e nefasto da guerra no Iraque; erros para o pântano em que se transformou todo o Médio Oriente; multilateralismo como método de resolução dos conflitos internacionais; condenação à violação dos direitos humanos, “quer em países ditatoriais de que não gostamos, quer em países democráticos de que somos amigos ou aliados mas não seguidistas”; denúncia das democracias modernas, “transformadas em Plutocracias” perante os efeitos nefastos da Globalização, eis os pontos fortes deste livro «Diálogo Ibérico».
“Sabe bem ver tudo isto escrito e com provas irrefutáveis, sobretudo para uma pessoa como eu que, em 2006, quase fui linchado em praça pública por defender, com naturalidade e sinceridade, a necessidade de não agravar conflitos inúteis e potencialmente perigosos entre o Ocidente e o Islão mas, antes, por em prática medidas concretas de diálogo e de aliança entre esses dois mundos, entre civilizações, culturas e religiões diferentes”, desabafou Freitas do Amaral.

Nações Unidas, União Europeia e Iniciativas Ibéricas
Que pensa Freitas do Amaral dos três pilares-chave defendidos pelos autores? “Quem não deixa reformar as Nações Unidas são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, França, Inglaterra, Rússia e China). Nas dezenas de reuniões em que participei como Ministro dos Negócios Estrangeiros apercebi-me de três coisas: 1ª) aumento crescente das opiniões favoráveis à transformação da UE numa zona de comércio livre, abandonando para sempre a ideia de uma comunidade política; 2ª) defesa da concentração dos grandes investimentos nos países mais ricos da União, que os poderão transformar em benefícios para todos os outros; 3ª) várias tentativas para reduzir as verbas destinadas, quer à velha coesão (Portugal, Espanha e Grécia), quer aos dez novos países da coesão, alargamento a Leste)”, explica alertando para o carácter anticomunitário e antieuropeu da «Carta dos Seis», assinada pelos seis países mais ricos da EU, e na qual pode ler-se que, entre 2007 a 2013, não haverá verbas no orçamento comunitário para que a Europa saia da passividade em que caiu nos últimos anos. Uma sentença de morte? Talvez… já que foi assinada por países a favor e contra a União política e social: França, Alemanha e Grã-Bretanha, Suécia, Holanda, respectivamente.
“Daí que me encontre mais próximo do cepticismo de Mário Soares, principalmente depois de ter ouvido o 1º Ministro da Polónia afirmar, perante todo o Conselho Europeu, que a Polónia não queria nenhum projecto europeu, queria apenas o dinheiro necessário para se desenvolver. Declaração que não suscitou nenhuma objecção, comentário ou crítica por parte dos restantes países presentes”, comentou Freitas do Amaral.

Soluções?
Para Freitas do Amaral, o sucesso depende de uma excepcional conjugação de astros favoráveis tendo em conta o calendário político mundial dos próximos anos: Dez. 2006 (Eleições legislativas na Holanda) “de onde resultará mudar ou não a posição do próximo referendo sobre a Constituição Europeia”; Jan. 2007 (posse do Novo Secretário-Geral das Nações Unidas) “na minha opinião será o candidato proposto e apoiado pela administração Bush”; Maio 2007 (Eleições Presidenciais em França) “quem as vai ganhar? Que pensa da Europa e do Mundo o vencedor? Ninguém sabe.”; Junho 2007 (Eleições Legislativas em França) “maioria da mesma cor que elegeu o presidente ou vai dar um campo de coabitação que nas circunstâncias actuais significará um impasse total da França na Europa e no Mundo?”; Até ao Verão de 2007 (mudança de primeiro-ministro na Grã-Bretanha) “qualquer um dos candidatos muito mais antieuropeístas do que o fraco europeísta Tony Blair.”; Durante o ano de 2008 (eleições primárias, campanha eleitoral e eleições presidenciais nos EUA, cujo novo presidente tomará posse em Jan. 2009) “sairá dessas eleições um Presidente Democrata que se identifique minimamente com as principais ideias defendidas neste livro ou será um Republicano? E, a ser Republicano, será parecido com Bush pai ou Bush filho? Há, apesar de tudo, uma grande diferença”, comentou em tom sarcástico.

Que estratégias adoptar?
Para o ex-militante do CDS, a única solução está em criar uma forte “autoridade cívica mundial”, com 25 a 50 pessoas de nível político e de prestígio moral indiscutível, que publiquem declarações curtas, incisivas, frontais e de grande impacto mediático sempre que for necessário, pelo menos 3 vezes por ano, visando denunciar situações e propor medidas. “Estou a pensar em Boutrous Gali, Koffi Anan, Jacques Delors, Mary Robinson, Nelson Mandela, Mikhael Gorbachov, príncipe Aga Khan, Al Gore e um número apreciável de prémios Nobel da Paz e da Economia.” Como criá-la rapidamente? “A partir de uma iniciativa ibérica que deve partir de dois grandes nomes: Mário Soares e Federico Mayor”, concluíu

Co-Autores: homens de grande cultura e sensibilidade humanista
Federico Mayor e Mário Soares deixaram algumas considerações àcerca do fenómeno controverso que está no centro do diálogo internacional. “Recordo vivamente quando há alguns anos ouvi dizer a um político sul-americano que a Globalização é inexorável. Acredito sinceramente que não sabia o que significava inexorável mas, de imediato, demonstrou que não fazia a mínima ideia do que significava Globalização. Tinha caído na armadilha do neoliberalismo semântico”, relembrou o ex-Director-Geral da UNESCO.
“A Globalização cria cada vez mais pobres e com eles mais ódios e revoltas sem remédio nem esperança. O Neoliberalismo é responsável por sociedades sem valores onde florescem o egoísmo, o culto da violência e o princípio do salve-se quem puder. O dinheiro é o que mais conta. O capitalismo especulativo e virtual caminha para uma explosão de consequências inimagináveis. O dinheiro sujo prospera sem controlo possível. Os paraísos fiscais e a criminalidade internacional organizada, o tráfico ilegal de armas e de drogas bem como de órgãos humanos geram grandes fluxos de dinheiro que condicionam o comércio internacional”, complementou Mário Soares.
Autor do livro “Mundo Inquietante”, o ex-Presidente português alertou para a imprevisibilidade da história, para o fim do neoliberalismo, para a extinção dos neo-Cons na América, para a importância da cidadania mundial e para a necessidade de ter esperança na condição humana: “não é o dinheiro que comanda o mundo. São as ideias, as causas, a ética. Temos um papel a representar no mundo, os dois idiomas em conjunto - castelhano e português – e nas suas projecções pelos diversos continentes formam um universo linguístico de cerca de 800 milhões de seres humanos, que representam mais de um décimo da Humanidade inteira. Devemos afirmarmo-nos desta maneira.”
Fica claro que o mundo ibérico reclama maior interacção e partilha, única forma de nos enriquecermos mutuamente. Quanto ao rumo a seguir, defendo uma cooperação estratégica mais próxima da Ibero-América e África, que nos oferece a sua grande experiência humana, a sua humildade, a sua tradição.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Guy Verhofstadt lança livro em Portugal

"A UE é como andar de bicicleta: tem de se pedalar, senão cai-se"

Intitula-se "Os Estados Unidos da Europa", foi lançado no dia 26 de Outubro, pelas 18 horas, no auditório da Fundação Mário Soares, e é de leitura obrigatória para todos aqueles que se identificam com a Europa. Editado pela Gradiva, o livro-manifesto de Guy Verhofstadt, primeiro-ministro da Bélgica, está já nas bancas e promete dar que falar I Patrícia Mota Paula I

Construir uma Europa política e social forte, competitiva, solidária e dotada de ferramentas eficazes para responder às demandas económicas dos países emergentes ou deixar que se desagregue por completo por força da enorme e crescente clivagem entre os Estados? Foi esta a interrogação várias vezes repetida por Guy Verhofstadt, europeísta convicto, para quem a criação dos «Estados Unidos da Europa» é imprescindível.
Incumbido da apresentação da obra, Mário Soares relembrou que “esta ideia não é nova, tendo sido lançada por Churchill, em 1946, com o intuito de por fim às contínuas guerras no Velho Continente. Dois anos mais tarde, esta premissa foi recuperada pelo movimento europeu, no Congresso de Haia, por grandes personalidades da política mundial. Contudo, o projecto foi rápida e lentamente asfixiado por algumas nações devido à ausência de consenso entre intergovernamentalistas e federalistas.” Duas tendências, sem dúvida, distintas: a primeira (Intergovernamental) tem em vista sobretudo o interesse nacional. A segunda (Federalista) remete para uma abordagem comunitária pois considera que a UE é composta, não só pelos Estados-membros, mas também por cidadãos, sendo necessário procurar o interesse geral. “Mas… o que é a União Europeia senão uma União de Estados Federais?”, conclui Mário Soares.

Quatro grandes potências
Actualmente Vice-Presidente do Senado e há sete anos primeiro-ministro do governo belga, Guy Verhofstadt mostra-se preocupado com o facto de em poucos anos a Ásia ter atingido, pelos seus próprios meios, o centro de gravidade da economia mundial, sendo que nalgumas regiões do sudeste, a economia cresce a um ritmo até dez vezes superior ao que se verifica na Europa. “A Europa encontra-se indubitavelmente numa encruzilhada. Não obstante, a escolha é muito clara. Vamos deixar que encolha até se tornar uma simples zona de comércio livre como alguns pretendem? Ou retomamos o fio da meada europeia, criando agora uma verdadeira Europa política que possa assumir um papel preponderante na cena mundial e que disponha de instrumentos sérios para modernizar a economia e responder às revoluções económicas ocorridas na China, na Índia, no Japão e nos EUA?”

Círculos concêntricos
É inquestionável o progresso que a integração trouxe e poderá ainda trazer à comunidade de povos que integram a União Europeia. Contudo, as opiniões divergem: alguns consideram que a Europa é demasiado ampla. Outros defendem que é excessivamente restrita. Outros, ainda, consideram-na deveras dispendiosa. E há quem pense que o alargamento foi demasiado inusitado e impensado. Apesar das discordâncias, o autor não tem dúvidas: “A Europa comportará dois círculos concêntricos: um núcleo político, os «Estados Unidos da Europa» alicerçados na Zona Euro; e, à sua volta, uma confederação de Estados, a «Organização de Estados Europeus.” A este respeito, Mário Soares sublinhou: “Todos os Estados-membros, tanto os antigos como os novos, devem poder aderir, se assim o desejarem. A única condição é quererem colaborar incondicionalmente no projecto político global.”

Domínios de abordagem comum
Desenvolver uma estratégia comunitária que responda aos dois grandes desafios sócio-económicos que pressionam o modelo social europeu: a globalização exógena e o envelhecimento populacional endógeno; estabelecer em termos de protecção social e de fiscalidade os valores mínimos e máximos que levarão os Estados-membros a desenvolverem-se nestas vertentes e liderar os esforços nos campos da investigação e desenvolvimento e das redes transeuropeias de informação destacam-se entre as inúmeras tarefas dos «Estados Unidos da Europa» definidas pelo autor. Atingi-los não será, contudo, tarefa simples. Porquê? O entusiasmo pelo projecto europeu deu lugar à apatia e ao medo: ”Medo dos canalizadores e pedreiros polacos, que vêm tirar o emprego ao cidadão da União. Medo da deslocalização das nossas empresas para um dos novos Estados-membros. Medo das economias do Sudeste Asiático ou dos têxteis chineses que fazem uma concorrência feroz às nossas empresas. Medo, igualmente, do crime organizado que pode agir à vontade numa Europa alargada”, refere alertando para o facto da Globalização estar a mudar a face do mundo a uma velocidade-relâmpago.


Novas competências…
O primeiro-ministro belga apontou cinco tarefas para a nova Europa: 1) Estratégia e Governo socioeconómicos europeus (tornar a economia europeia competitiva à escala mundial através, por exemplo, da reforma profunda dos sistemas fiscais da Europa), 2) Uma nova Vaga Tecnológica europeia (maior investimento na investigação científica e tecnológica), 3) Espaço europeu de Justiça e Segurança (reduzir burocracia, associar forças), 4) A Diplomacia europeia (um Ministro dos Negócios Estrangeiros para a Europa, uma política comum de desenvolvimento favorável aos PVD`s) e 5) O Exército europeu (braço militar comum financiado por uma percentagem mínima do PIB dos Estados-membros). “Uma defesa europeia comum faz da Europa um parceiro completo e resoluto dos Estados Unidos; uma defesa europeia comum complementará a Aliança com um pilar europeu forte e credível; uma defesa europeia velará pelo equilíbrio necessário na NATO”, explica.

Constituição Europeia: sim ou não?
Em pleno século XXI, a UE deixou de ser sinónimo de homogeneidade. A ausência de consenso quanto ao rumo a seguir provoca um descontentamento generalizado, daí que a finalidade política do projecto europeu seja constantemente negada por alguns Estados-membros, de que são exemplo a França e a Holanda cujo «NÃO» à Constituição Europeia foi expressivo. Apenas um grupo restrito de países está disposto a seguir em frente. “Nesse caso, não faz sentido esperar até que todos estejam receptivos. Isso seria como estar à espera de um comboio que nunca vai chegar. A UE é como andar de bicicleta: tem de se pedalar, senão cai-se. Este projecto tem de passar pelo crivo dos cidadãos europeus. Para tal, terá de ser submetido à apreciação, em referendo, de todos os cidadãos de todos os Estados-membros que participem.” Para o autor, este referendo deverá ser organizado num só dia, num só momento - à semelhança das eleições europeias – e com base numa só pergunta: uma zona de comércio livre ou uma Europa política?


FRASES SOLTAS
“Apesar de a União Europeia não empregar mais funcionários do que uma cidade média europeia, ela luta com uma imensa imagem de tecnocracia e sobretudo burocracia, aliada à má reputação de esbanjar dinheiros. (…) Durante anos a fio, ela foi explorada pelos políticos nacionais. Há anos a fio que a EU é apontada como o papão sempre que os próprios países têm de tomar medidas menos populares.”

“A escolha para uma nova Europa comporta, tanto novas competências e um novo financiamento, como novas instituições. E implica simultaneamente que a União Europeia acabe com a politiquice paternalista de antecâmara, demasiado praticada hoje em dia.”